25 de julho – Dia Nacional do Escritor

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Esta frase do escritor Mário Quintana retrata a importância da literatura. Não importa o gênero ou se o livro foi escrito para informar ou apenas distrair. O que importa é a mensagem que o escritor quer passar com a crônica, conto, romance, poema, etc. Ler transforma opiniões, mostra um outro ponto de vista, mexe com o imaginário. A data é comemorada em razão do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores, através de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, um dos mais influentes nomes de nossa literatura. Aliás, o Brasil teve e tem grandes escritores, com obras que marcaram a literatura, como Carlos Drummond de Andrade, Cecilia Meireles, Machado de Assis, Mario de Andrade, Monteiro Lobato, Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Mário Prata, Otto Lara Resende, Zélia Gattai e tantos outros.

 

Dia do escritor
Os escritores são semideuses com o poder da criatividade e da escrita. Que transformam seus sonhos e desejos em tramas inimagináveis. Que proporciona aos seus semelhantes o poder de viajar por mundos incríveis e terras fantásticas apenas ao virar as paginas de um livro. Só assim se explica a facilidade que tem de atingir públicos diversos. Através da habilidade de brincar com as palavras, consegue despertar em cada um de nós sentimentos escondidos, cravejados no mais íntimo do nosso âmago. Tão escondido que, às vezes, ele nem sabe que existe a possibilidade de arrancá-lo da languidez em que se encontra e nem que é capaz de tamanha proeza. Por isso é considerado um artista! Um construtor de sonhos e de fantasias.

Especial Peanuts

No dia 2 de outubro de 2011 completaram-se 61 anos desde que um então jovem artista desconhecido publicou pela primeira vez uma tirinha de jornal contando as aventuras e desventuras de um singular personagem: Charlie Brown. Essa é uma pequena homenagem a criador e criatura.


Um Menino Chamado Charlie Schultz

 

Os Peanuts, como é chamada a obra-prima do cartunista Charles Monroe Schultz, praticamente criaram um novo gênero nas HQs, que conquistou seu espaço justamente no feudo das tiras de jornais: as histórias de “Turminha”, onde o universo infantil era usado como fábula para representar e constantemente criticar o mundo adulto. Porém, sem nunca abrir mão do bom humor. É comum nesse mundo imaginado os adultos terem voz de trombone desafinado e as crianças passearem pelo Supermercado achando que é um Museu.

Depois dos Peanuts vieram MafaldaCalvin & HaroldoMônica e Cebolinha etc. Todas histórias de crianças, mas com uma sabedoria que encantava os adultos. O autor trabalhou com maestria os aspectos mais profundos da natureza humana, tomando os Peanuts como base. De acordo com o artista muitas vezes uma série de sequências repetidas eram o suficiente pra expressar tudo aquilo que ele queria.

Daí surgiram cenas clássicas como Charlie Brown fracassando em empinar uma pipa ouLucy tirando a bola de futebol americano quando Charlie vai chutá-la e fazendo-o voar longe… Se fosse no nosso futebol a Lucy seria a criadora do drible da vaca.

As tiras de Schultz foram inspiradas na infância triste do autor, que foi uma criança só e sem amigos. Começaram a ser publicadas após uma série de recusas e muitas tentativas frustradas desde a adolescência. Até a Disney o rejeitou. Em 1945, num jornal católico, elas finalmente estrearam sob o nome de Just Keep Laughing.

Mas a primeira série mesmo surgiu em 1947, num jornal de tiragem maior, com o nome deSparky´s Li´l Folks (Sparky era o apelido de infância de Schultz), que acabou virando somenteLi´l Folks (Gente Pequena). Esse foi o embrião dos Peanuts e foi cancelado dois anos depois quando Schultz foi demitido do jornal St. Paul Pioneer Press por solicitar que os quadrinhos fossem publicados diariamente.

Após muita insistência e novas recusas, o autor teve uma reunião pessoal com a United Feature Syndicate, a grande responsável pela distribuição das tiras nos jornais norte-americanos, e no dia 2 de outubro de 1950 seu trabalho finalmente teve um nova chance, sendo publicado em 7 jornais dos EUA, agora com o nome de Peanuts. Uma imposição da empresa que o autor detestou, até por medo de confundirem o título com o apelido do protagonista, Minduim, como Patty Pimentinha chamava Charlie Brown.

Nesse meio tempo, alguns personagens foram sumindo, embora alguns ainda voltassem pra fazer pontas na versão animada anos depois. No princípio só haviam Charlie Brown, Snoopy, um menino chamado Shermy e duas meninas chamadas Patty (nada a ver com a Pimentinha) e Violet que, como outros personagens no Brasil, mudou de nome e virou Violeta.

E Schultz seguiu criando todas as tiras sozinho até ter que parar por problemas de saúde em 13 de janeiro de 2000, quando elas já estavam sendo publicadas em 2.600 jornais ao redor do planeta, em 26 idiomas diferentes.

Nada mal pra quem começou com míseros 7 jornais.

Na sua última tira Snoopy datilografava uma carta na sua eterna máquina de escrever no topo de sua célebre casinha de cachorro. Na carta o autor se desculpava com o público e anunciava sua aposentaria agradecendo a editores e fãs por ajudarem-no a realizar seu sonho de infância.

Os personagens de Shultz viraram todo tipo de produto, brinquedo, cartão comemorativo (esses então vendem como água), estatueta, bicho de pelúcia, peça de teatro e desenho animado. Foram estas animações que terminaram de dar toda a fama e reconhecimento merecido aos personagens e suas aventuras. A popularidade dos Peanuts foi muito além de onde seu autor poderia imaginar. Quando os primeiros astronautas pisaram na Lua, levaram na Apolo um desenho do Snoopy.

Aliás, se houvesse alguma justiça no mundo eles deveriam ter levado um desenho do Milú, o cachorro do Tintin do autor belga Hergé, afinal ele foi o primeiro cachorro das histórias em quadrinhos que pisou na Lua.

No Brasil o cantor Benito de Paula compôs a bela canção Charlie Brown, em que apresentava ao personagem as maravilhas do nosso país. A música virou um hit por aqui na época e até hoje é tocada. Quem nunca ouviu o refrão “Êh! Meu Amigo Charlie… Êh! Meu Amigo Charlie Brown…”?

A Animação

Apesar de muitas liberdades tomadas pelos produtores que fazem alguns fãs considerarem os desenhos um mero trabalho apócrifo, é inegável o alcance que a animação deu à obra em inúmeros países como o Brasil. Pode-se dizer que três dos grandes responsáveis por isso são:

– O produtor Lee Mendelson que após fazer um documentário entitulado Um Menino Chamado Charlie Brown sobre a obra de Schultz, ficou tão entusiasmado que não descansou enquanto não conseguiu levar às telas uma animação daqueles personagens.

– o animador Bill Melendez, que dirigiu a maioria dos desenhos da Turma de Charlie Brown, além de ter vasta experiência em animação tendo trabalhado em clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões e Gerald McBoing Boing. Com os Peanuts ele ganhou Oscars e foi indicado ao Emmy.

– o pianista de jazz Vince Guaraldi, que compôs toda a inesquecível trilha sonora dos Peanuts. Inclusive Snoopy e cia. só viraram desenho depois que a gravadora Fantasy lançou o álbum com a trilha que Guaraldi havia feito para o documentário de Lee Mendelson.

Foi esse disco que convenceu os patrocinadores a viabilizarem o primeiro longa-metragem: Um Menino Chamado Charlie Brown, mesmo título do documentário. Daí vieram vários longas e médias-metragens e séries animadas em épocas distintas. O trabalho de Guaraldi contém sem dúvida algumas das primeiras composições feitas para desenho animado que podem ser consideradas obras de arte.

No entanto, algumas diferenças do quadrinho pro desenho, soam muito estranhas para quem só conhece um ou outro. Na HQ Snoopy pensa em voz alta (exatamente como Garfield) e na animação o público não pode ouvir seus pensamentos perdendo muitas ótimas tiradas.

Outra diferença, que Schultz não gostava nem um pouco, era que na tirinha a Garotinha Ruiva jamais apareceu, sua imagem vivia apenas na imaginação de Minduim e dos leitores. Já no desenho ela aparecia, mesmo não tendo nenhuma fala, ou melhor, não tendo nada pra dizer! Em um episódio, Linus conta a Charlie Brown que Minduim chegou a beijar a Garotinha Ruiva numa festa e dançou com ela a noite toda… mas o pobre menino não lembra de nada! Será que batizaram o ponche daquela festa?

No Brasil a série teve aproximadamente NOVE DUBLAGENS! Charlie Brown foi dublado por Marcelo Gastaldi (a voz do Chaves), Selton Mello (Sim! AQUELE Selton Mello!),Ulisses BezerraMarcelo Campos e atualmente por José Leonardo. As versões mais conhecidas são as de Gastaldi e Selton. Um pequeno recado a quem não ouviu a primeira dublagem na tv e quando conhece reclama que o Marcelo Gastaldi dubla o Charlie como se fosse o Chaves: Ele dublou o Charlie Brown ANTES de dublar o Chaves!

Toda essa confusão acabou dividindo os fãs da versão brasileira. Uma polêmica de responsabilidade dos distribuidores da série que pareciam querer dublar a obra como se fossem uma adolescente comprando roupa no shopping, trocando peça por peça toda hora!
O negócio é respeitar o gosto de cada um dos espectadores, mas me parece que mesmo hoje em dia uma porção maior dos fãs ainda tem mais carinho pela versão dos Estúdios Maga que passava no SBT. Foi Marcelo Gastaldi quem deu o tom dramático do personagem em terras brasileiras, que passou a ser seguido pelos demais.

Os Personagens

SNOOPY:

Um sonhador, que usa sua imaginação pra realizar todas as coisas possíveis. Às vezes é um aviador, outras um detetive, ou um herói, ou simplesmente o Ás Mascarado. Enfrenta todo mundo e paquera as garotas. É curioso pensar que o Snoopy faz tudo aquilo que o seu dono Charlie Brown gostaria de fazer. Ou seja, apesar dele reclamar dos problemas que o cãozinho arranja por não ser “normal”, Charlie esconde uma grande admiração por ele. Não que ele não tente também, mas… bem, depois eu chego lá.

Snoopy também tem um bom caráter, sempre ajuda todo mundo, apesar de ser um encrenqueiro com espírito libertário. Seus melhores amigos são Charlie Brown e Woodstock. Num dos momentos mais marcantes da série Snoopy volta para sua antiga dona, que estava doente, para cuidar dela. Mas no fim, quando descobre que não poderiam morar juntos, o beagle não consegue esconder o quanto ficou feliz por voltar pra casa do menino de cabeça redonda com um ziguezague na camisa.

Ele foi inspirado em Spike, cãozinho da mesma raça que Charlie Schultz tinha na infância. É curioso como Snoopy roubou a cena e pra alguns tornou-se o principal personagem da série. Isso ocorre porque a figura fofa do cãozinho atraia mais as crianças pequenas que consumiam os produtos com o dinheiro dos pais do que o seu dono, que parecia mais ter uma nuvem negra na cabeça. Mesmo assim, com o tempo, o público percebe que é impossível ficar indiferente às filosofias daquela Turminha.

Quando crescemos e percebemos que queríamos ser Snoopy assim como Charlie Brown também queria ser, constatamos que nós sempre fomos Charlie Brown, estávamos conectados com ele… mas precisávamos de alguma distância de tempo assim como é preciso estar afastado pra se ver completamente refletido num espelho.

LUCY (ou LÚCIA):

A megera! Lucy é uma menina com personalidade dominadora, que perde o bom-humor muito facilmente quando nota que o mundo ao redor não é do jeito que ela quer, o que acontece com frequência.

Detesta a tranquilidade do irmão, Linus, e sempre tenta resolver tudo na briga. Aliás, vive brigando com o Snoopy, que é o único que a desafia, nem que seja com um beijo, o que a deixa furiosa. É apaixonada por Schroeder e vive inconformada por ele preferir tocar piano do que ficar com ela, porém ninguém sabe se ela ainda gostaria dele se ele lhe desse atenção.

Sua vida não teria graça se ela não tivesse o Charlie Brown pra atormentar. Lucy tem uma necessidade tão grande de deixar claro para Charlie que ele é um perdedor, que pode-se até dizer que essa fixação toda na verdade é um jeito desastrado de amar alguém. Ela foi inspirada na primeira esposa de Charlie Schultz e, óbvio, é nada mais nada menos do que a versão da mulher aos olhos dele. O autor teria ficado indignado quando, certa vez, a esposa o mandou procurar um psiquiatra pra resolver suas neuras, afinal a sua arte vinha exatamente dessas neuras.

Daí, como resposta, o artista criou a célebre barraquinha de psiquiatra da Lucy, de onde ela tirava dinheiro do pessoal da Turma em troca de uns conselhos totalmente sem-noção. Outra inspiração pra personagem teria sido a mãe de Schultz, que seria uma das primeiras responsáveis pela baixa auto-estima do artista.

LINUS (ou LINO):

Sereno, filosófico, Linus também tem vários problemas com timidez. Mas ele sempre se arranja. O cobertor em que se agarra, que seria um símbolo de fraqueza, acaba servindo pra demonstar sua força, até porque ele o usa como uma arma contra o mundo, literalmente falando. Linus sempre “viaja” na sua filosofia: “Eu gosto da Humanidade. O que eu não suporto são as pessoas.”

Ele não tem medo de pagar mico por causa dos seus sonhos, nem que seja pelo Grande Abóbora (que você pode ter conhecido numa das versões dubladas no Brasil como Grande Bruxo) ou pelo Cachorro da Páscoa. Também tem um lado sensível a desilusões. Numa das tirinhas, ao ver uma folha cair da árvore no chão, ele exclama: “Você não será feliz aqui.”

A única coisa que o tira do sério é a irmã de seu melhor amigo Charlie Brown, Isaura, que é loucamente, e põe loucamente nisso, apaixonada por ele. Linus é bem mais atirado do que Charlie, se apaixonou até pela Professora. Possivelmente esse comportamento era um reflexo do comportamento do próprio Schultz que, em certa fase da vida, tornou-se mais popular com as mulheres.

Certa vez apareceu na escola Janice, uma menina com leucemia, que teve que cortar os cabelos, devido ao tratamento. Foi um dos momentos mais delicados e bonitos da Turma, especialmente quando ela retorna e, ao empurrá-la no balanço, Linus vê que seus belos cabelos haviam crescido de novo. Mesmo assim é inevitável não pensar no início, quando todos a rejeitam: Lá vai o Linus “consolar” a menina.

O irmão da Lucy também é o protótipo do amigo fura-olho, seja dançando com a Garotinha Ruiva no Ano-Novo enquanto eles “esperavam” Charlie (que fora obrigado pela professora a ler TODA a gigantesca edição do livro Guerra e Paz) ou roubando descaradamente a menina a qual o amigo só vira uma vez, mas mesmo assim tinha atravessado o país inteiro pra encontrar… até descobrirem que ela também tinha um cobertor. Em vez de guardar rancor, Minduim, após muito sofrer, simplesmente lê:

“É melhor amado e ter perdido do que nunca ter amado.”

Huumm… deve ser por isso que as mulheres preferem o Linus…

Mesmo assim os dois são os melhores amigos. Tanto que Charlie Brown sofre muito no episódio em que Linus e Lucy se mudam do bairro e vai às lágrimas na hora do adeus, enquantonum gesto de amizade Linus lhe presenteia com seu bem mais precioso: seu cobertor azul. Felizmente algum tempo depois os Irmãos Van Pelt retornam à seu velho lar… Afinal, as agruras de Charlie não teriam a mesma graça se Linus não estivesse lá pra arrematar com a clássica:

“Que lástima Charlie Brown!”

PATTY PIMENTINHA:

Uma garota liberal, de iniciativa, não é tão agressiva como a Lucy, mas por sempre tomar a frente de tudo acaba ofuscando mais ainda as personalidades de quem está ao seu redor. Talvez por isso seja tão ligada à sua amiga Marcie (que não tem personalidade) e à sua paixão de ocasião, Charlie Brown (que consegue ter menos personalidade que a Marcie). A Pimentinha é a personagem que mais “viaja” na história, seja como a única que embarca nas fantasias delirantes do Snoopy, seja falando pelos cotovelos, ou principalmente quando tenta fazer de Charlie Brown, o seu Minduim… um vencedor.

“Pausa para risada”

Em qualquer lugar que eles estejam Patty põe Charlie em alguma encrenca, seja numa sala de aula ou no meio de uma corredeira, só pra depois jogar na cara dele que estragou tudo que estavam tentando fazer, mesmo não se preocupando muito se ele queria fazer o que quer que fosse. Como surgiu um pouco depois do que a maioria dos personagens, a Pimentinha foi objeto do reflexo da mulher do seu tempo, que estava conquistando mais espaço e tinha mais atitude.

Um bom exemplo disso é o fato dela usar chinelos e calças. Infelizmente, pra alguns a personagem foi rotulada de outra forma, e há quem aponte ela e Marcie como lésbicas, o que não tem nada a ver, até porque elas sempre aparecem apaixonadas por algum garoto… e geralmente o mesmo garoto, seja Charlie Brown ou um francesinho simpático. Patty foi inspirada numa prima de Schultz, que era uma verdadeira pimentinha. Brincava de bola e não gostava de seguir ordens.

SALLY (ou ISAURA):

A irmãzinha pentelha e alienada de Charlie Brown, também “viaja” pintando o mundo exatamente como ela gostaria que fosse, um mundo onde Linus e ela se amarão pra sempre, nem que seja contra a vontade dele, a professora é sua arquiinimiga, sempre bolando planos maquiavélicos contra ela, e seu “irmãozão” vai protegê-la sempre com a maior coragem do mundo. Meu Deus!

Isaura também tem uma característica interessante na sua relação com Linus. Ela não o chama de“My Sweet Lord” por acaso, é totalmente submissa, mas tão submissa que, por não saber o que fazer sem seu amado, acaba sufocando-o e se tornando controladora.

Ironicamente, a irmãzinha de Charlie Brown e Snoopy realizaram uma das cenas mais singelas do desenho animado, falando justamente sobre o verdeiro amor:

Isaura é tudo aquilo que se esperava da mulher antes da Revolução Sexual. Inclusive a personagem Susanita da Turma da Mafalda lembra bastante a Isaura. Talvez por isso mesmo é bastante curioso que a única vez que Isaura se revolta contra Linus é justamente no capítulo em que ele é eleito presidente do grêmio e quando vai reinvindicar os direitos dos alunos amarela na frente do diretor, deixando sua fã número 1 indignada com a desonestidade política do menino. Seria Schultz tentando alertar a consciência social feminina?

SCHROEDER:

O garoto de nome complicado também vive num mundo só seu, perdido em meio às canções de Bethoveen, que ele executa no pianinho. E mesmo assim ele é bem feliz, a não ser quando Lucy chega querendo obrigá-lo a lhe dar atenção, pois ela não consegue compreender como alguém não se interessaria por ela, ainda que ela mesma não tenha a menor afinidade com essa pessoa. Certa vez a irmã de Linus lhe disse:

“Acho que você não percebeu que pode me perder. Tem certeza que quer sofrer as torturas da lembrança de um amor perdido?”

Também é preciso dizer que ele é um menino com uma noção de honra muito forte. Por exemplo, jamais tocaria música popular em vez de clássica, mesmo que obrigado, pois isso vai contra sua essência. A única vez que concordou em tocar música popular se remoeu tanto por dentro que ficava repetindo: “Eu me vendi. Eu me vendi.” Schroeder pode parecer solitário, mas tem mesmo é um grande amor pela arte que o faz se desligar do resto do mundo…

Assim como Charlie Brown, ele também é inspirado no próprio Charlie Schultz, mas enquanto Charlie seria sua versão infantil, Schroeder seria o autor adulto, focado no trabalho, seu único talento e alento… e sem tempo pra uma vida pessoal saudável. Podemos ver este conflito de personalidades de Schultz no episódio do Dia dos Namorados. Após não receber cartões de ninguém, Charlie Brown está arrasado, quando as meninas chegam falando que ficaram com pena e fizeram uma vaquinha pra comprar um presente pra ele.

Schroeder, que estava lá na hora, fica indignado e começa um discurso acusando elas de não tratarem Charlie de forma decente e pergunta se acham que ele iria aceitar o presente de consolação delas depois de ser totalmente ignorado e esquecido. Ao que o próprio Charlie Brown se apressa em dizer: “Aceito! Aceito!”

MARCIE (ou MARCIA):

A grande companheira nas loucuras de Patty Pimentinha. Marcie vive se anulando pelos outros. Sempre chama sua amiga de Sir (que na dublagem ficou ora “Meu”, ora “Senhor”), demonstrando um certo complexo de inferioridade, mas com uma ponta de ironia. Ao mesmo tempo, por ser tão calada e observadora, acumulou mais capacidade do que os outros.

É desesperador, principalmente para Patty, perceber que Marcie é mais inteligente e prática do que ela. Talvez por isso a própria Marcie fique tão na dela pra não magoar a amiga. Mas por trás daqueles óculos também bate um coração e Marcie também gosta de Charlie Brown, mas não perde muito tempo tentando transformá-lo em algo que ele nunca será, como a Patty faz.

Se ela é tão legal porque Charlie não fica com ela? Simples, porque Marcie é o oposto da Garotinha Ruiva. Uma é aquela menina que nós nem lembramos que existe e a outra é aquela que nos faz chorar só pela possibilidade de esquecer. Contudo, Marcie toca a vida numa boa, preferindo seguir adiante até encontrar alguém que goste dela, ao contrário de um certo menino de camisa amarela, que prefere sofrer e amar pra sempre.

WOODSTOCK:

É difícil definir a personalidade dele. Woodstock é aquele animalzinho pequeno que sempre sofre num mundo grande demais pra si, como as pessoas que não encontram um lugar sossegado pra colocar seu “ninho”.

Mas com ajuda de seu amigão Snoopy ele sempre se safa de tudo e termina bem, como na vez em que Isaura usou o ninho do passarinho pro seu trabalho de ciências e o beagle bancou o advogado. Todo o barraco acabou na barraca de psiquiatra da Lucy, que serviu de juíza.

E como todo pequenino subestimado, Woodstock surpreende a todos quando tem chance de mostrar seu valor como quando improvisou no gogó toda a trilha sonora da apresentação de Patty Pimentinha como patinadora depois que o Snoopy detonou a fita da música. Essa é sem dúvida uma das passagens mais espetaculares da série animada:

CHIQUEIRINHO:

É todo aquele menino desleixado que se preocupava tanto em brincar e se divertir que não tinha a mínima noção de higiene e, de certa forma, das responsabilidades que vem com a maturidade. Todos nós conhecemos um Chiqueirinho, um menino que sem perceber se tornou anti-social como consequência de viver num mundo só seu.

Por isso ele é evitado, mas pela própria infantilidade que causou essa exclusão, não nota e continua alegre e satisfeito. O Cascão da Turma da Mônica lembra bastante ele. É até curioso isso, mas Chiqueirinho consegue ser mais feliz que Charlie Brown. Raramente o personagem aparece se lamentando quando alguém recusa um abraço seu, pois ele é plenamente satisfeito com o que tem e o que é.

RERUN:

O irmãozinho de Lucy e Linus lembra um pouco o conceito do Woodstock, de alguém muito pequeno tentando lidar com um mundo que não foi feito pra ele. Vive sofrendo na garupa da bicicleta da mãe, enquanto a mesma corre pra tudo que é lado com o caçula a tiracolo.

Mas Rerun não é nada bobo. Como esquecer do capítulo em que ele entra no time de beisebol de Charlie e, quando eles finalmente vencem uma partida pela primeira vez, o jogo é anulado porque Rerun e Snoopy o fraudaram pra faturar uma grana com as apostas?

SPIKE

Irmão mais velho do Snoopy. Na verdade o cachorro de Minduim tem um a penca de irmãos, mas só o excêntrico e magricela Spike costuma aparecer de vez em quando, além de mandar cartas pra ele do meio do deserto aonde mora. Chegou também a viver por um tempo com Lucy e Linus, mas ele engordou muito e decidiu voltar pro deserto.

Nas tirinhas Spike vai ser padrinho de casamento do Snoopy e rouba sua noiva, que mais tarde trocou o cunhado por um coiote. Mas na adaptação pra animação, deram uma mudada e ela foge com outro cão do casório. Mesmo assim, nunca parece que os irmãos permaneceram brigados, já que é para Spike quem Snoopy sempre envia todas aquelas cartas que datilografa no alto da sua casinha.

Existe algo de triste nessa relação a distância entre os dois, especialmente pela solidão delirante em que Spike vive ao lado dos cactus e as pedras, sua única companhia, e fazendo as mais estapafúrdias dissertações. Personagem complexo e difícil de assimilar totalmente, ele parece ser um eco do próprio Schultz, buscando um pouco de sanidade na região inóspita criada dentro de sua mente em meio a seus tormentos pessoais.

A GAROTINHA RUIVA:

Aparece apenas no desennho, onde ganhou o nome de Heather. Foi inspirada num amor não correspondido da infância de Schultz. Curiosamente a tal pessoa teria se tornado sua amiga depois de adulta, embora casada com outro. Na ficção, Charlie a ama, mas nem a conhece, não faz parte da sua Turma.

…então porque ela é tão importante?

CHARLIE BROWN:

Enquanto me lembrava dos personagens me toquei que todos no fundo se parecem um pouco com Charlie Brown. Todos são tímidos e inseguros. A diferença é que todos canalizam isso sonhando com um mundo melhor. Charlie não, ele sofre cada perda, sentindo sempre o peso da mão do destino. Porque, na verdade ele é o mais realista!

O único que não tem um mundinho particular pra se esconder porque sempre que tenta criar um e seguir seus sonhos quebra a cara, como na final do Decatlo, aonde ele perde a corrida exatamente porque ficou distraído sonhando.

No capítulo do Dia das Bruxas, por exemplo, ocorre a cena mais surreal da série, quando todos ganham doces e Charlie só ganha… pedras! Lembro de me perguntar… que diabos de vizinhança de maníacos dariam pedras pro Charlie e doces só pros outros?

Na verdade isso é uma metáfora, simbolizando o mundo concreto de Charlie, em que parece não ser permitido fantasiar… (mesmo assim ainda acho que aquela é uma vizinhança muito estranha.)

É por isso que ele então é o mais adulto, porque não consegue desfrutar do frescor da imaginação proporcionado pela infância como os outros fazem. Ele sabe que a infância é uma ilusão e não vai durar.

Marcie também sabe disso, mas prefere usufruir da fantasia dos outros onde é seguro, tanto que ela é incapaz de abstrair por si própria, não consegue sequer pintar um ovo de Páscoa! Lucy também já percebeu a mesma coisa, mas nega desesperadamente. Por isso ela fica tão nervosa quando Schroeder ou Linus a contrariam nas SUAS fantasias. Porque ela sabe que qualquer resquício de realidade é mais um sinal da infância indo pelo ralo. Por isso ela tenta tanto provar que Charlie é um perdedor, porque ele é real. Real demais. Provando sua inferioridade ela garantirá a estabilidade do mundo deles.

Esse desejo patológico fica claro quando ela diz a ele:

“Eu não vou mentir. Você não vai conseguir Charlie Brown. Os outros dizem que você vai conseguir porque estão mentindo. Você está transformando todos em hipócritas, Charlie Brown.”

Como esse contato humano gera consequências, Lucy tornou Charlie parte de sua vida sem perceber. Enquanto isso o que Charlie tenta fazer é encarar a realidade e tentar mudá-la. Por isso ele sempre vai tentar chutar aquela bola. Parece até piada de português, que vê uma casca de banana e sabe que vai escorregar, mas ele sempre mete a cara e se expõe ao ridículo e levanta partindo pra outra. Por isso ele leva tão a sério o time de beisebol a ponto de ser o único a se apresentar pro jogo, mesmo com o campo alagado e o Snoopy passando de barco por ele!

Essa coragem e determinação, embora façam com que ninguém goste muito dele, também faz com que inconscientemente todos confiem nele, tornando-o o líder, já que todos já esperam que ele tome a iniciativa.

Para mostrar que Charlie sofre essa loucura que nós chamamos de vida e criar uma catarse sem precedentes, Schultz jogou em cima dele todas as amarguras, humilhações, decepções e sofrimentos que alguém pode passar (só faltou caírem sobre o garoto as Sete Pragas do Egito)… muitas das quais o próprio Charlie Schultz sentiu na própria pele. E a mais marcante de todas é aquela que afeta aonde dói mais, no coração.

Por isso, apesar de sempre sonhar com a Garotinha Ruiva, ele mesmo vive se censurando por se iludir com ela. O fato é que ele sabe que ela é uma menina de verdade, mas exatamente por saber que fantasia tanto com ela, ele não consegue encará-la no mundo real, porque ele sabe que DESSA VEZ o choque da realidade vai deixar marcas profundas.

A Garotinha Ruiva é mais do que uma bola no meio do campo, ela é a meta máxima de sua vida. Ainda assim, ele ainda se esforça e tenta uma aproximação por mais leve que seja, por mais que dê tudo errado. Em casos assim, um dia sempre ocorre de surgir na vida das pessoas um amor de verdade… e, por incrível que pareça, com Charlie Brown não foi diferente.

PEGGY JEAN:

Pouca gente sabe, mas pelo menos nos quadrinhos, nos anos 90, Charlie Brown teve uma namorada real chamada Peggy Jean (levou só uns 40 anos, mas antes tarde do que nunca!), que foi raramente vista nos desenhos. Em compensação, existe uma verdadeira Saga de Peggy Jean nas tiras.

Bem, ela era uma menina bonita que conheceu Charlie Brown num acampamento. Ele ficou tão nervoso ao se apresentar que disse que se chamava Brownie Charles, alcunha pela qual a menina passou a chamá-lo o tempo todo. Depois de descobrir que garotas bonitas também são humanas (falando sério mesmo) Brownie Charles começou a namorar Peggy Jean.

O romance passou por altos e baixos. Num momento crucial Peggy Jean segurou uma bola pra Charlie chutar, mas este, marcado por todas as vezes que Lucy tirara a mesma, hesitou. A menina foi então embora pra casa, deixando um bilhete magoado aonde lamentava que ele não confiasse nela. Nessa hora, ao ver seu dono daquele jeito, Snoopy pensa: “Isto me aconteceu certa vez, com uma bacê.”

Mas ela voltou para se despedir, antes de ir pra outra vizinhança aonde morava. E antes de ir embora ela o beijou. Esse sim foi oficialmente o primeiro beijo de Charlie Brown! O garoto ficou tão empolgado que correu pro telefone pra contar pro Linus, sem perceber que quem estava do outro lado da linha era a Lucy que, chocada, perguntou: “O que é isto!? Um telefonema obsceno?”

Charlie Brown e Peggy Jean se veriam ainda no Natal, onde ele vendeu todos as suas histórias em quadrinhos pra comprar luvas de presente pra ela… sem saber que a mãe dela já tinha dado o mesmo presente. Esse episódio foi o único adaptado com a personagem para o desenho animado, aonde decidiram alterar sua cor de cabelo… tornando-a ruiva.

Então, após muito tempo, chega novamente a época de ir pro acampamento de verão. Numa tira publicada em 1999, Charlie vai ao local combinado por eles. Mas, chegando lá, ela fica surpresa por vê-lo e diz que não consegue se lembrar porque foi até lá. Peggy Jean se afasta para encontrar com seu namorado no campo de futebol, enquanto Charlie Brown tenta inultimente falar sobre o que ela tinha lhe prometido. Então, Minduim se dirige ao telefone e disca pra casa.

CHARLIE: Isaura, põe o Snoopy na linha por favor.
SNOOPY: Au, Au.
CHARLIE: Obrigado. Eu precisava ouvir uma voz amiga.

é… quanto mais eu conheço as mulheres, mas eu gosto do meu cachorro…

Até um dia, Charlie Brown…

Alguns meses depois desta história, Charlie Schultz encerrou as tiras, devido a um câncer, em janeiro de 2000 como foi dito no começo do texto. Em 12 de fevereiro de 2000, nosso amigo Charlie (o Sparky, não o Minduim) deixou este mundo… Que Puxa!

Contudo, sua mensagem de alegria, melancolia, infância e esperança permanece. Ele criou personagens e histórias imortais e conquistou um sem fim de fãs e seguidores. Uma vez, Linus disse a frase que define Peanuts para o bem e para o mal:

“Entre todos os Charlie Browns do mundo, você é o mais Charlie Brown de todos, Charlie Brown.”

Charlie Brown, apesar de ter se tornado sinônimo de fracassado e loser na cultura pop… Apesar de a única vez que ganhou algo na vida ter recebido como prêmio um corte de cabelo (o que era completamente inútil já que seu pai era barbeiro)…

Apesar de ter perdido a única garota verdadeira com quem poderia ter tido algo na vida… Apesar de ter sido enganado pela Lucy e dado uma cambalhota até mesmo numa nave em pleno espaço sideral enquanto a cena era televisionada ao vivo para milhões de pessoas num episódio da animação…

Apesar de ser ele… Charlie Brown também nos deu a certeza de que vale a pena continuar a tentar chutar aquela bola pra bem longe, além do horizonte…

Fonte: Blog Melhores do Mundo.

Parabéns Garfield!

Hoje é dia de parabéns! Há 34 anos, Garfield, o gato mais preguiçoso dos quadrinhos, era criado pelo americano Jim Davis.

Nos anos 70, Jim Davis escrevia uma tirinha, Gnorm Gnat, que não tinha boa recepção. Um editor disse que “a arte era decente, as piadas eram boas” mas não dava para o público se identificar com um inseto. Davis respondeu criando uma tirinha com um gato. O motivo para escolher o animal foi a falta de tirinhas estreladas por gatos, e também ter um personagem que pudesse criar merchandising.

Garfield estreou em 19 de junho de 1978. Tinha traços disformes, bochechas enormes e olhos pequenos. Já mostrava sarcasmo na sua primeira tira:

Preguiçoso, gordo, ranzinza e fanaaático por lasanha, e que detesta segundas-feiras, o gato laranja já foi publicado em 11 países e, segundo o jornal Folha de S. Paulo, fatura cerca de US$ 5 bilhões por ano em produtos patenteados, sendo 20% só no mercado nacional.

Garfield chegou ao Brasil em 1985 e tem duas tiras publicadas diariamente no jornal Folha de S. Paulo. Além disso, as histórias também saem em outros 2.570 jornais de todo o mundo.

E qual seria o segredo do sucesso do personagem que tem suas histórias lidas por cerca de 260 milhões de pessoas por dia? De acordo com Jim Davis, é porque ele não passa de “um come e dorme”.

Dia do Cinema Brasileiro

Hoje, dia 19 de junho, comemoramos o dia do Cinema Brasileiro, que vem melhorando e conquistando um novo espaço a cada dia, e já foi diversas vezes indicada ao Oscar, porém nunca ganhou uma estatueta. E para comemorar o dia da considerada Sétima Arte no Brasil, eu poderia citar vários nomes e filmes brasileiros interessantes, mas deixo apenas alguns artistas e alguns filmes que os mesmos fizeram, que se destacaram e vem se destacando no Cinema Nacional nos últimos tempos… Vale a pena conferir!

Wagner Moura

  • Tropa de Elite
  • Tropa de Elite 2
  • O Homem do Futuro
  • Vips
  • Cidade Baixa
  • Romance 

Rodrigo Santoro

  • Bicho de sete cabeças
  • Abril despedaçado
  • Carandiru
  • Não por acaso
  • Os desafinados

 

Fernanda Montenegro

  • Casa de Areia
  • Central do Brasil
  • O Auto da Compadecida
  • Eles não usam Black Tie (De 1981, mas muito conhecido até hoje)

Selton Mello

  • O auto da compadecida
  • Lavoura arcaica
  • O cheiro do ralo
  • Meu nome não é Johnny
  • Jean Charles

Lázaro Ramos

  • Madame Satã
  • O homem que copiava
  • Meu tio matou um cara
  • Cafundó
  • Ó paí, ó

Origem do Dia do Cinema Brasileiro


O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado no dia 19 de junho porque foi nesse dia que Afonso Segreto, o primeiro cinegrafista e diretor brasileiro, chegou ao Brasil. Antes de pisar em terra firme, onde fez imagens da entrada da baía de Guanabara e foi então a primeira  filmagem em território nacional. Algumas pessoas preferem celebrar a data em 5 de novembro, para relembrar o aniversário da primeira exibição pública de cinema.

Sentimentalidades

“… tinha suspirado,
tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas,
como um corpo ressequido que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
cada passo condizia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!”